
Tem um tipo de angústia que não grita.
Não quebra nada.
Não faz escândalo.
Mas fica.
Ela aparece quando você liga o jornal e já sabe o que vem.
Quando certas decisões parecem prontas antes mesmo de acontecer.
Quando a regra muda… dependendo de quem está ali.
Muita gente percebe. Mas fala baixo.
Porque hoje, até a dúvida pesa.
E existe um padrão nisso.
Alguns podem muito.
Outros precisam medir cada palavra.
Uns erram e seguem.
Outros são marcados.
Vai se criando uma sensação estranha, como se o jogo já não fosse o mesmo para todo mundo. E o mais curioso: questionar isso já te coloca no lugar errado.
Isso cansa.
Não de uma vez. Vai acumulando.
Um incômodo aqui, outro ali.
Quando você vê… já virou peso.
A reação mais comum é recuar. Ficar quieto. Evitar. Seguir a vida.
Mas nem todo mundo faz isso.
Tem quem observe.
Quem lembre.
Quem não aceite esquecer.
Sem grito. Sem espetáculo. Só firme.
Porque no meio do ruído, ainda dá para escolher.
Não se dobrar por dentro já é uma escolha.
E talvez seja isso que mais incomoda: não quem fala alto e some, mas quem permanece.
A angústia continua. O peso também.
Mas junto com eles, cresce outra coisa.
Uma força mais quieta.
Que não aparece tanto.
Mas que não quebra fácil.
É ela que segue.
Porque liberdade, quando é de verdade…
Não é o que te dão.
É aquilo que você decide não abrir mão.

Deixe um comentário