O clima da Sexta-feira

Sexta-feira à noite sempre tem o mesmo clima. Da janela, eu fico observando a metamorfose: a rua muda, o bar enche, o volume das vozes sobe conforme o sol desce. A galera chega cansada, mas com uma animação estranha, como se todo mundo tivesse acabado de sobreviver a um naufrágio semanal.

E, na real, sobreviveu mesmo.

A semana inteira o sujeito vive no automático. Acorda sem vontade, trabalha sem sentido, aguenta o que não deveria aguentar… tudo para, no fim do mês, mal conseguir respirar. Mas ele aguenta. Sabe por quê? Porque a sexta-feira está chegando.

Aí chega a sexta e, de repente, tudo muda. O mesmo cara que estava esgotado começa a rir; o mesmo que reclamava da vida agora levanta o copo, faz barulho, tenta esquecer. E chama isso de viver.

O mito da fuga

Mas eu olho para isso de fora e não vejo liberdade nenhuma ali. Vejo gente cansada tentando não pensar. Vejo gente usando algumas horas para fugir de uma vida que não aguenta mais.

Isso não é liberdade. É intervalo.

É um respiro entre uma semana que já foi ruim e outra que já está esperando para começar igual. E o pior é que quase ninguém percebe o tamanho do buraco. Trabalha igual a um condenado, ganha pouco… e o pouco ainda é arrancado antes de chegar na mão.

Imposto para tudo. Preço subindo. Dinheiro valendo cada vez menos. E o sujeito ali, achando que o problema é “só cansaço”.

O ciclo do “existir”

Não é. É que fizeram a vida dele caber em um ciclo onde ele só aguenta existir se tiver algumas horas de fuga no final. E aí ele aceita. Reclama no bar, ri para esquecer, e na segunda-feira está lá de novo.

Mesmo lugar. Mesmo esforço. Mesmo resultado ruim. E sem perceber que não é normal.

Não era para ser assim. Nunca foi. 😏

E aí… você vive de sexta em sexta? 🐾
Ou já percebeu esse ciclo e tá tentando sair dele?
Comenta aí — vamos ver quem encara essa conversa 😏


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