Vacinação: quando devo vacinar o meu pet?

janeiro 7
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Além das tradicionais festividades, o final de ano por aqui é também um período de cuidados com a saúde do Noah: nos meses de novembro e dezembro, nosso peludo recebe o reforço anual das vacinas. E você tutor, já vacinou o seu amigo dog?

Cada médico veterinário adota um protocolo vacinal e esse esquema deve levar em consideração, dentre outros fatores, o local onde o cão vive. Assim, por exemplo, se o animal vive em uma região endêmica de Leishmaniose – doença que acomete principalmente cães, gatos e humanos – torna-se necessário imunizá-lo contra essa importante zoonose.

Atenção! A vacina contra Leishmaniose (ou Calazar) deve ser antecedida de exames que detectarão se o animal já tem a doença. Isso porque, em alguns casos, o cão ou o gato estão doentes e o tutor não percebe.

A transmissão da Leishmaniose ocorre pela picada da fêmea do mosquito-palha contaminado e o animal enfermo pode apresentar problemas dermatológicos, crescimento anormal das unhas e emagrecimento progressivo que evolui para um quadro de anorexia.

No Brasil, é muito comum que pelo menos duas vacinas sejam aplicadas anualmente: a vacina múltipla (V8 e V10, mais comumente) e a vacina antirrábica. Para muitos veterinários, essas vacinas devem ser obrigatórias em qualquer protocolo.

Acerca das vacinas múltiplas, a V8 protege o cão contra sete doenças: cinomose, hepatite infecciosa canina, adenovirose, coronavirose, parainfluenza canina, parvovirose e leptospirose canina (com antígenos para os tipos Leptospira Canicola e Leptospira Icterohahemorrhagiae). A vacina V10 ou déctupla, por sua vez, protege contra as doenças já mencionadas e ainda inclui antígenos para outros dois tipos de leptospirose, a Leptospira Grippotyphosa e a Leptospira Pomona.

A primeira das três doses da vacina múltipla deve ser aplicada quando o cão tiver 45 dias de vida e o intervalo de 21 dias entre cada dose deve ser respeitado (de preferência rigorosamente!). Desse modo, o pet receberá uma dose com 45 dias, outra aos 66 dias e, por fim, a última dose da vacina múltipla será aplicada aos 87 dias.

Não é indicado vacinar filhotes antes dos 45 dias de idade. Já os cães adultos que nunca foram vacinados ou que têm um histórico de vacinação desconhecido, precisam receber as três doses da vacina múltipla, respeitando o intervalo citado, e uma dose da antirrábica.

A vacina antirrábica é a única maneira de prevenir a transmissão da raiva entre animais e de animais para humanos. A raiva é uma importante zoonose com uma taxa de letalidade elevada, próxima a 100% em humanos. Por esse motivo, inúmeros municípios brasileiros promovem, regularmente, campanhas de vacinação gratuita contra essa doença.

Contudo, é válido destacar que o transporte, o armazenamento e a manipulação das vacinas são determinantes na eficácia do procedimento vacinal. No meio veterinário, algumas vacinas contém vírus vivos modificados, outras têm vírus inativos e há, ainda, as vacinas recombinantes. Nesse sentido, é fundamental mantê-las sob temperaturas adequadas para preservar as propriedades imunogênicas e garantir a proteção contra doenças.

Além das vacinas mencionadas, a maioria dos médicos veterinários também indica a aplicação das vacinas contra a gripe canina e a giárdia. A vacina contra gripe pode ser aplicada junto à 2ª dose de V10, ou seja, quando o cão tiver 66 dias de vida. Se o tutor escolher a vacina contra gripe injetável, é importante que a aplicação seja feita em duas doses com intervalo de 21 a 30 dias. Mas se a escolha for pela vacina em gota, uma única aplicação garante a imunização do animal com a vantagem de ser indolor.

Já a primeira imunização contra giardíase é feita em duas doses com intervalo de 15 dias entre cada dose. Embora a vacinação contra giárdia não impeça que o pet contraia a doença, os sintomas se manifestam de forma mais branda. No início do ano passado, Noah teve vários episódios de diarreia com sangue em um único dia. Ele foi levado ao veterinário, as fezes foram coletadas e o diagnóstico foi giardíase. No entanto, uma vez que ele havia sido vacinado contra giárdia, os efeitos da doença foram mais brandos e o tratamento simples.

Algumas reações adversas podem ocorrer após a vacinação, tais como o surgimento de edema (inchaço) na região onde a vacina foi aplicada, febre e prostração, ou seja, o animal pode ficar abatido. Essas reações tendem a ocorrer com maior frequência em filhotes e se durarem por tempo prolongado, é importante consultar um médico veterinário.

Em decorrência desses e de outros efeitos adversos observados – e possivelmente associados à vacinação, como, por exemplo, o aumento da ocorrência de doenças autoimunes em cães –, algumas entidades veterinárias internacionais passaram a questionar os tradicionais protocolos de reforço vacinal anual. Atualmente, novas diretrizes vacinais e a sua aplicação no contexto do Brasil têm sido amplamente discutidas.

Isso quer dizer que não devemos mais vacinar nossos pets anualmente? Não! Proteção é proteção. Entretanto, isso destaca o quanto essa temática é complexa, merece ser discutida, desperta questionamentos e demanda leituras, ou, pelo menos, uma boa conversa com o veterinário de referência do seu pet.

Se você gostaria de saber um pouco mais sobre as mudanças nos protocolos vacinais, leia o artigo ‘Novas diretrizes vacinais para cães – uma abordagem técnica e ética’, escrito pela médica veterinária Sylvia Melo Rosa Angélico e pelo professor César Augusto Dinóia Pereira, disponível aqui.

Referências:

ANGÉLICO, S. M. R.; PEREIRA, C. A. D. Novas diretrizes vacinais para cães – uma abordagem técnica e ética. Disponível em: <http://www.cachorroverde.com.br/cv/wp-content/uploads/2013/04/DIRETRIZES-VACINAIS-DIAGRAMADO.pdf>. Acesso em 26 dez. 2017.

ASSIS, L. C. Leishmaniose: seu cachorro pode estar contaminado sem você saber. Disponível em: <http://emais.estadao.com.br/blogs/comportamento-animal/leishmaniose-seu-cachorro-pode-estar-contaminado-sem-voce-saber/>. Acesso em 23 dez. 2017.

Vacinas e calendário de vacinação. Disponível em: <http://tudosobrecachorros.com.br/vacinas/>. Acesso em 04 jan. 2018.

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