Um relato de vida, por Rob Kugler

julho 20
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Rob Kugler, do instagram @robkugler, compartilhou conosco sua experiência com os cuidados com sua labradora Bella, acometida por um câncer na pata. Um relato de vida, de amor e de humanidade, que explora as nossas limitações em contraponto ao imensurável poder do amor. Desfrute deste lindo texto conosco!

Texto escrito pelo colaborador Robert Kugler. Livre tradução por Jullyane Ornelas.

“Olá Flávia, muito obrigado por perguntar sobre como descobri a doença da Bella e o que fiz depois. Eu adoraria dividir isso com você e seus leitores.

No inverno de 2015, Bella desenvolveu uma fraqueza evidente na pata esquerda dianteira. Fomos ao nosso veterinário e nos disseram que era uma lesão no ombro. A veterinária perguntou se Bella teve algum incidente recente e eu disse o quanto Bella amava deslizar nos declives no parque e que recentemente ela tinha tentado escalar e escorregado. Ela determinou que essa era a causa da lesão e nos mandou pra casa com Rimadyl (um antiinflamatório) e um rigoroso regime de não-brincadeira. Ela deveria ser presa quando não supervisionada, não brincar com outros cães, não se esforçar, e sem quaisquer brincadeiras sem a guia. Nós fizemos isso por alguns meses e eu vi melhoras mínimas apenas.

Nós fomos para um check-up e nos disseram pra continuar evitando as brincadeiras até que ela estivesse curada. Essa não foi uma tarefa fácil, Bella nasceu para brincar. Quando eu voltei mais uma vez para perguntar o que mais poderíamos fazer, a veterinária pareceu incomodada e disse, com um tom de voz irritadiço: “essas coisas levam tempo”. Bom, eu senti que não poderia mais torturar Bella sem ser pró-ativo no cuidado com ela, então fomos a outro veterinário para outra opinião, pelo menos uma fisioterapia. Algo ATIVO que pudesse ajudá-la a se curar, em vez de apenas esperar, porque esperar não parecia estar fazendo nada.

No veterinário seguinte, imediatamente fizemos um raio-x, e enquanto esperávamos pelos resultados, o fisioterapeuta estava bastante esperançoso que Bella teria uma recuperação total com um regime de hidroterapia e alongamento 2x na semana. No entanto, quando o raio-x voltou, ela foi diagnosticada com osteosarcoma avançado que já havia se espalhado para os pulmões dela… deram a ela de 3 a 6 meses. Eu, obviamente, fiquei arrasado.

“Sair e ter uma razão nova pra viver todos os dias pode ser o que a mantém viva!”

Nos disseram que não havia tratamento para o câncer nos pulmões dela. Muitos podem discordar e pensar que há inúmeros medicamentos… mas tudo em que eu consegui pensar como próximo melhor passo era não focar em salvá-la, mas preferi focar em viver. Por isso, a partir daquele momento, nós passamos todos os momentos juntos. Nós viajamos pelo país, vimos lugares novos, encontramos velhos amigos e fizemos novos. Um ano e meio depois, ainda estávamos fortes, e os veterinários estavam maravilhados que ela ainda estivesse viva. Eles, na verdade, atribuíram a saúde dela ao nosso explorar. “Eu nunca vi um cão com câncer nos pulmões que não mostrasse sintomas!”. “Sair e ter uma razão nova pra viver todos os dias pode ser o que a mantém viva!”.

Então… continuamos a fazer a isso. Nós tentamos alguns suplementos, como alimentos reforçadores e açafrão, mas nada parecido ao que eu havia visto outras pessoas tentarem para salvar seus cães. Nos focamos apenas no tempo que tínhamos e continuamos a aventura enquanto foi possível. Eu parei de fazê-la pular nas nossas caminhadas e preferia levá-la e deixá-la subir as trilhas primeiro enquanto eu ia atrás meramente supervisionando.

Eu sei que não fiz tudo certo, e que poderia ter feito melhor tantas coisas, mas eu fiz o melhor que sabia, e isso é o que importa, né? Dar tudo aquilo que você pode àqueles que você mais ama? Eu tenho boas lembranças, e alguns arrependimentos aqui e ali. Ainda assim, esses arrependimentos apenas mostram o quanto eu me importei com ela… porque aqueles de nós que se importam tanto… sempre sentem que poderiam ter feito mais.

Fico em paz com isso sabendo que o espírito dela está correndo livremente, nadando em qualquer oceano que ela queira, perseguindo todos os esquilos, e enrolada nos meus pés quando ela quiser.

Nossos animais podem ser perfeitos, mas nós definitivamente não somos. Lembrar disso… ajuda no processo.”

Algumas fotos da Bella:

Texto original, em inglês:

“Hello, Flavia. Thank you so much for asking about how I discovered Bella’s illness and what I did afterwards. I’d Love to share with you and your readers. 🙂

In the winter of 2015, Bella developed a pronounced limp on her front left leg. We went to our Vet and were told that it was a shoulder injury. The vet asked if Bella had had any recent incidents and I told about how Bella Loves to go down slides at the park, and had recently tried to climb up a slide, and slipped. She determined that was the cause of the injury and sent us home with some rimadyl (anti-inflammatory) and a strict no-play regimen. She should be kenneled when unsupervised, no play with other dogs, no fetch, and no off-leash play at all. We did this for a few months and only saw minimal improvement. We went in for a check up and were told to continue with no play until she healed.

This was not an easy task, Bella was born to play. When I went back in once more to ask what more we could do, the vet seemed to be annoyed and said with a bit of a snappy tone: “These things take time!” Well, I felt like I couldn’t torture Bella another day without being more proactive in her care, so we went to another vet for another opinion, at least some physical therapy. Something ACTIVE that would help her heal, whether than just waiting for it to, because waiting didn’t seem like it was doing anything.

At the next vet, we got x-rays immediately, and while we waited for the results the physical therapist was very hopeful that Bella would make a full recovery with a 2x a week regimen of aquatic therapy and stretching. However, when the x-rays came back and she was diagnosed with advanced osteosarcoma that had already spread into her lungs…she was given 3-6 months. I was obviously devastated.

“Getting out and having a new reason to Live everyday may just be keeping her alive!”

We were told that there was no treatment for the cancer in her lungs. Many folks may disagree and feel that there are countless remedies…but all I could think of for the best next step was not to focus on saving her life, but rather to focus on living it. That is why we spent every moment together from then on. We traveled across the country, seeing new places, meeting old friends, and making new ones. A year and half later, we were still going strong, and the vets were amazed that she was still alive. They actually attributed her health to our exploring. “I’ve never seen a dog with that much cancer in it’s lungs and not showing signs!” “Getting out and having a new reason to Live everyday may just be keeping her alive!”

So…that’s what we continued to do. We tried a few diet supplements, like some raw food boosters and turmeric powder, but nowhere near as much as I’ve seen people do to try and save their dogs. We just focused on the time we had left and continued to adventure as much as possible. I stopped making her heel on our walks and would rather take her to parks and let her hike up the trail first as I would follow behind and merely “supervise.” I wanted her to just live the life that she would like to live, day to day.

I know I didn’t do everything right, and could’ve done so many things better, but I did do the best that I knew how, and that is what matters, right? To give all that you can to the ones you Love most? I have many fond memories, and a few regrets here and there. Yet, those regrets represent just how much I cared for her…because those of us that care so much…always feel like we could’ve done more.

How I make peace with that is knowing that her spirit is running freely, swimming in any ocean she wishes, chasing all of the squirrels, and curled up at my feet whenever she wishes.

Our animals may be perfect, but we are definitely not. Remembering that….helps in the entire process.”

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