Existe Vida Após a Descoberta da Displasia

julho 5
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Receber o diagnóstico de Displasia do nosso cachorro não é fácil. Todo mundo que tem um cachorro de grande porte teme a doença e, quando descobre, acaba ficando perdido, sem saber por onde começar.

Por isso, decidimos reunir as nossas experiências e compartilhar com vocês. Talvez alguma delas seja bem parecida com o que você, nosso leitor, está passando. Esperamos que o que vivemos todos os dias sirva para te ajudar de alguma forma. E se quiser compartilhar, envia pra gente a história do seu cachorro também. Compartilhe com a gente!

A nova vida da Mabel, por Andrezza Rosalém: A Mabel chegou em casa com 2 meses no dia 15 de abril de 2016, uma bolinha branca correndo e brincando pela casa. O dia da chegada foi um dia de muita expectativa por causa do Billy, que tinha quase 14 anos e era bem rabugento, mas deu tudo certo. Foram dias de muita alegria e trabalho, fazer toda adaptação e ensinar as regrinhas básicas da casa. A Mabel era bastante bagunceira no início, mas com o passar dos dois primeiros meses começamos a achar que havia acalmado e que era uma Golden tranquila. Será que isso era possível?

Após o período das vacinas começamos a participar de encontros com outros tutores e todos relatavam as bagunças, de que os filhotes não paravam um minuto, que estavam roendo a casa toda, entre outras coisas. Pensávamos: “nossa, que sorte! A Mabel é super tranquila e às vezes preguiçosa”.

Só que começamos a ficar com aquela pulga atrás da orelha e ficar mais atentos, e aí os indícios apareceram. A Mabel nunca deitava de sapinho, sentava de lado, brincava com outros cães, mas logo parava e quando chegava em casa ficava muito quieta o restante do dia. E o que nos levou ao exame de raio-x foi uma dor quando abrimos as perninhas de trás para limpar a barriga. Ela logo reclamou. Mandamos mensagem para o veterinário e ele logo disse para fazermos o exame de imagem. Quem levou Mabel ao exame foi meu marido e ele disse que a veterinária quando saiu com o laudo na mão veio com uma cara de muita tristeza e ali ele teve a certeza de algo que já desconfiávamos…a temida DISPLASIA. Quando descobrimos a Mabel tinha 5 meses de idade.

“A Mabel veio pra nossa família como tinha que vir. Depois da denervação, a qualidade de vida da Mabel aumentou muito, ela ficou muito mais ativa e muito animada. E vimos que nossa filha não era preguiçosa…ela tinha DOR!”

A primeira reação que tive ao receber o diagnóstico da Mabel foi NEGAÇÃO, com o resultado nas mãos eu fui a todos os ortopedistas que atendiam em minha cidade e a resposta sempre foi a mesma: que ela tinha uma displasia severa. Eu realmente levei um tempo pra acreditar. Parecia que tudo que foi tão sonhado e planejado havia acabado, fiquei mal uma semana e não podia ver um cão correndo e brincando. Achava que Mabel ficaria sem andar e que teria que usar uma cadeira de rodas, que estava condenada.

Depois veio a RAIVA e com ela as perguntas: como é possível, escolhemos tanto o canil! Vimos todas as referências! E os laudos dos pais e avós todos sem displasia, como era possível? Depois olhando com calma, vimos no laudo da mãe da Mabel que ela tinha displasia grau leve, o que é permitido para reprodução, conforme legislação. Nesse tempo, já havíamos encontrado um excelente ortopedista e cirurgião de São Paulo que atendia em Vitória e por sorte ele estava na cidade duas semana após o diagnóstico. Fizemos a consulta e a primeira indicação de tratamento foi a denervação, uma técnica de remoção de nervos da articulação, acabando com a dor do animal. Vamos falar em outro post sobre esse tratamento.

Quando fui buscar a Mabel do procedimento e olhei para aquela carinha linda me olhando…veio a ACEITAÇÃO. A Mabel veio pra nossa família como tinha que vir. Depois da denervação, a qualidade de vida da Mabel aumentou muito, ela ficou muito mais ativa e muito animada. E vimos que nossa filha não era preguiçosa…ela tinha DOR! E aí foi um novo baque, como podia dizer que ela era preguiçosa…na verdade, ela sentia dor e por isso era quietinha.

Após esse procedimento fomos a uma fisioterapeuta, hoje posso dizer que ela é meu porto seguro. A Mabel tem evoluído muito com as sessões, fazemos 1 vez por semana. Começou com hidro na esteira e depois passou para a natação, dentre outros tratamentos. Passamos a usar suplementos como Cosequin e UC-II (em outro post vamos falar também sobre suplementação). E também mudamos a alimentação, fomos para a Alimentação Natural (AN). Toda a dieta dela é feita por uma médica veterinária especialista para ajudar no tratamento da displasia, como alimentos anti-inflamatórios e também alguns complementos. E recentemente, passamos também a fazer acupuntura uma vez por semana para pararmos de usar medicamentos analgésicos e faz bastante tempo que Mabel não toma nada forte pra dor. Acho que vale falarmos em outro texto sobre fisioterapia e acupuntura!

Hoje a Mabel tem 1 ano e 4 meses de idade, tem uma vida feliz e muito ativa. Claro que tem pequenas limitações, sabemos quando está cansada e respeitamos. Temos ido regularmente ao ortopedista, vamos de 3 em 3 meses e na última consulta saímos muito felizes. Ele disse que Mabel não podia estar melhor e que estava evoluindo bem, que era outra Mabel…feliz, brincalhona!

Mabel andando de SUP

Mabel andando de SUP

Mabel é feliz e apronta muito, tem muita qualidade de vida. Como sempre digo: existe vida após a descoberta da DISPLASIA! E agradeço a Deus todos os dias por Mabel ter vindo pra minha família, ela mudou a minha vida…me faz todo dia uma pessoa melhor!

Num outro post vou falar do Billy, descobrimos a displasia quando ele tinha 13 anos e foi por causa da Mabel. Temos que ficar atentos aos cães de pequeno porte, eles também podem ter a doença.

A nova vida do Marley, por Flávia Junqueira: Marley chegou em casa no dia 24 de dezembro de 2016. Ele foi realmente o melhor presente de Natal das nossas vidas. Durante 7 meses, procurei ler sobre comportamento canino para criar um cão saudável e educado. Marley é muito inteligente, aprende rápido os comandos. Uma curiosidade sobre ele: nunca chorou, mesmo filhote. Queria que ele soubesse que nós éramos sua família e procurava levá-lo comigo onde eu fosse. Numa tarde, depois que brincamos de bola, ele dormiu e acordou mancando. No dia seguinte, continuou. Levei à Médica Veterinária que na época o acompanhava e ela passou um remédio para dor. Ele não melhorou. Ela, então, pediu um raio-x para ter certeza de que não seria nada grave.

Peguei o resultado uma hora depois. A recepcionista da clínica me olhou e pediu para procurar urgentemente a Veterinária dele. Lembro-me que perguntei o porquê dessa urgência e ela me respondeu: “Ele tem displasia, é uma doença degenerativa. Sinto muito”.

Lembro-me de ter discutido com a moça e ter ido direto ao consultório. Entrei e fiquei sem chão. Só chorava. Parecia uma sentença e eu não me conformava, não aceitava. Eu só queria que ele voltasse a brincar sem mancar. A médica, muito paciente, me explicou tudo e me pediu desculpas pela forma como me deram a notícia.

“Prometi pra nós dois que enfrentaríamos juntos e, sobretudo, esse seria o maior desafio da minha vida: reabilitar alguém que eu amo.”

Conversamos bastante e falei que iria em busca de mais informações. Procurei um especialista muito recomendado, mas minha experiência na primeira consulta foi horrível. Quem não sabe lidar com gente, não poderia colocar as mãos no Marley.

Através de uma das minhas irmãs, encontrei o nosso veterinário atual. Eu e Marley chegamos ao consultório num estado deplorável. Eu precisava entender e organizar o quebra-cabeça da doença e tirar a culpa que me perseguia. E ainda por cima, Marley estava com muita dor. Foram uma hora e meia de consulta. A esperança voltou. Nada de cirurgia. Suplementação diária e para a vida toda.

Mas Marley precisava melhorar o quadro em que ele se encontrava. Entrei no carro, olhei pra ele e chorei de alívio. Prometi pra nós dois que enfrentaríamos juntos e, sobretudo, esse seria o maior desafio da minha vida: reabilitar alguém que eu amo. Nessa noite, eu li vários artigos e estudos sobre a doença e, principalmente, sobre tratamentos alternativos e como eu poderia fazer, eu mesma.

No dia seguinte, eu já caminhava com ele na areia da praia. Passos curtos, firmes, sempre observando sua perna e suas limitações. Mantive essa rotina, sem descanso, por 35 dias. Seria nosso retorno à consulta. Fomos muito elogiados pelo progresso. Ele estava com a musculatura forte, não estava arqueado. Estava sem dor e não mancava mais.

Tenho um labrador lindo, que me olha como se eu fosse única na vida dele, que adora brincar com as suas bolinhas, ama nadar no mar e leva uma vida normal e saudável. Não poderia aceitar esse diagnóstico e ficar de braços cruzados. Tenho um filho de quatro patas que é especial. Não pela doença, mas porque faz parte da nossa família. E nós escolhemos lutar. Todos os dias!

Marley super atento à bolinha

Marley super atento à bolinha

A nova vida do Oliver, por Luciana Canavese: Gosto de começar a contar sobre a displasia do Oliver quebrando um falsa informação que nos é passada por muitos canis. “A Displasia dele é genética e ponto final”, como diria o Dr. Diogo Garnica, Ortopedista do Oliver. Sabe aquele papo de “se ele crescer em piso liso ele vai ter displasia”? Infelizmente, um dos muitos mitos. A Displasia adquirida é mais difícil de acontecer, o mais comum é a genética. Vamos, então, do início.

Quando decidimos ter um Golden, passei uns 6 meses pesquisando tudo sobre a raça. Por isso, eu já tinha total consciência de que ele poderia desenvolver a Displasia. Porém, uma coisa que li com muita frequência nos conteúdos de internet foi que, se os pais do cão tivessem laudo negativo para displasia, ele poderia desenvolvê-la apenas por conta do ambiente onde vivesse. Ok. Tomei isso como verdade e passei a procurar os melhores canis, confirmei laudos, tudo certinho. Nisso fui impecável. Oliver nasceu em 9 de outubro de 2014 de padreador e matriz com certificado de que não tinham a tal doença.

Enchi a minha casa de tapetes de borracha, tudo para que ele não viesse a desenvolver o problema em decorrência do ambiente. Segui exatamente tudo o que li na internet e o que o proprietário do canil me recomendara.

Um ano, dois anos. Nenhum sinal de displasia. Correndo normalmente, brincando muito, deitando de sapinho, nunca mancou. Ufa! Então ele não tem displasia. Mas aí um dia ele machucou o ombro e, já que íamos à Clínica Radiológica, pensei: “vou aproveitar e fazer raio-x do quadril também, por garantia”. E aí veio a bomba: Displasia Severa com um monte de outros nomes que me pareciam apenas agravar mais o quadro. Foi aí que tudo aquilo que eu havia lido, aprendido e crido caiu por terra.

“No início foi muito, muito difícil. Mas à medida que você vai conhecendo sobre o problema, você vai vendo que é possível viver muito bem com a displasia, obrigado.”

Graças a Deus, sempre tive o apoio de um excelente médico veterinário desde que Oliver era filhote. E ele me passou a informação de que a doença era genética. Demorei a acreditar, pois eu havia lido tanto sobre ela não ser genética se os pais forem isentos da doença, que aquilo precisava ser processado aos poucos. Eu chorava tanto, que me senti mais confortável de ficar com óculos escuros no consultório médico, enquanto o Dr. Márcio com muita serenidade me explicava sobre a condição do meu Oliver. Era muito duro pensar que alguém que tanto amo estava com uma alteração ortopédica tão significativa, e tão temida por quem tem cães de grande porte.

Ele fez questão de me mostrar que muitas vezes, o laudo do papel não corresponde à condição clínica do paciente e que Oliver era um exemplo disso. Mas que isso não anularia a condição real dele: Oliver é um cão de dois anos e meio, com displasia severa e as complicações decorrentes disso e por isso, não poderia ser tratado como antes. Agora ele seria único, com suas necessidades particulares.

No início foi muito, muito difícil. Mas à medida que você vai conhecendo sobre o problema, você vai vendo que é possível viver muito bem com a displasia, obrigado. Ainda mais se a gente se emprenha em estudar, conhecer, descobrir, trocar ideias, e principalmente, ter um bom amparo e acompanhamento médico veterinário. Hoje Oliver tem como equipe de acompanhamento: o médico veterinário geral (que cuida de tudo dele); o médico veterinário ortopedista, a fisioterapeuta e eu. Trabalhamos conjuntamente para dar a ele condições de crescer com equilíbrio para ter uma vida tranquila quando idoso.

Oliver ama deitar na grama.

Oliver ama deitar na grama.

“E como ele está, Lu?”, você pode me perguntar. Ele está ótimo! A cada dia mais forte, vivendo bem, como qualquer outro cão. Brinca com bolinha? Brinca. Nada na praia? Nada. Pula? Pula. Tudo com seu devido controle e restrições necessárias para evitar problemas futuros.

Por isso, se você, porventura, se deparou com essa notícia também, receba o nosso abraço e as palavras sinceras de que TUDO FICARÁ BEM. Porque vai ficar. Basta você se dedicar ao bem-estar do seu cão. E claro, conte conosco. Se tiver dúvidas, pode deixar aqui seu comentário que a gente responde 🙂

  1. Eve

    outubro 14

    Olá! Vcs citaram um médico que atende em SP, poderiam divulgar o nome dele, por favor? Suspeito que meu golden de 4 meses esteja com displasia. :/

  2. […] Existe vida após a descoberta da displasia […]

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