O uso de acupuntura em cães: como Billy e Mabel ganharam qualidade de vida

novembro 19
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A acupuntura tem um importante papel no restabelecimento da força muscular, na diminuição do uso de medicamentos, no controle de dor, além de melhorar a qualidade de vida do animal e de postergar tratamentos cirúrgicos que são mais agressivos.

Vou contar a minha experiência com a acupuntura como tratamento complementar em cães com problemas articulares, como a displasia coxofemoral. E aqui não vou chamar de tratamento alternativo como alguns costumam denominar, mas sim de complementar aos demais tratamentos como cirurgias, fisioterapia, analgesia e condroprotetores.

Segundo a Drª Heloisa Dellacqua Coutinho1, especialista em acupuntura veterinária, embora a acupuntura seja uma técnica milenar, para alguns tutores essa especialidade ainda é bem desconhecida. Para esse tratamento é utilizado agulhas (as mesmas utilizadas em humanos) que são inseridas em pontos específicos do corpo com o único objetivo, restaurar a saúde do paciente através da energia vital, seja essa alteração uma inflamação, uma convulsão, vômitos, incontinência, enfim qualquer alteração. Existem pouquíssimos casos que o uso da acupuntura é contraindicado, é uma técnica extremamente segura e com rápida resposta, qualquer animal pode fazer o uso desse tratamento, independente da espécie, raça, idade.

“Com a agulha inserida na pele do animal, ocorrem diversos estímulos nervosos, levando informações para o cérebro, medula espinhal….e todo o corpo responde a essa cascata de eventos bioquímicos (é uma explosão de hormônios, neurotransmissores, mediadores inflamatórios e antiinflamatórios).” (COUTINHO, Heloísa)

Como todos sabem, sou tutora de dois cães com problemas articulares. A Mabel, uma Golden de 1 ano e 9 meses, que teve o diagnóstico de displasia coxofemoral severa com 6 meses e o Billy, um maltês de 15 anos, com diagnóstico tardio de displasia coxofemoral, além de artrose e problemas na lombar em função da idade. (Já escrevemos sobre displasia aqui no Blog. Veja abaixo!)

Existe vida após a descoberta da displasia

Displasia Coxofemoral: informações importantes

billy na acupuntura

Billy

mabel-acupuntura

Mabel

Com 6 meses e com o diagnóstico de displasia severa, confirmada por exames radiológicos e clínicos, além de idas a muitos veterinários (porque não queria acreditar!), a Mabel fez o primeiro procedimento cirúrgico para reduzir a dor, a denervação. Logo depois, iniciou as sessões de fisioterapia para fortalecimento muscular e uso de medicamentos para controle da dor – também conhecido como analgesia. Com o tempo o uso constante de anti-inflamatórios e de analgésicos, como o cloridrato de tramadol, começaram a me incomodar. Não queria usar todos esses medicamentos, até porque a doença da Mabel é degenerativa e com o tempo tende a piorar e estava queimando os “cartuchos” futuros. E para piorar, ela estava perdendo o apetite e tendo constantes problemas gástricos.

E nesse tempo tivemos que fazer outro procedimento cirúrgico, a pectineotomia bilateral. O procedimento libera o músculo pectíneo que fica tensionado em função do mal encaixe do fêmur na pelve. A cirurgia promove o alívio da dor e a diminuição da pressão da cabeça do fêmur no acetábulo (CARDOSO et al, 2013).

Isso foi um basta! Medicamentos diários e dois procedimentos cirúrgicos em menos de 1 ano de vida, não queríamos isso para ela e nem para a gente!

Resolvi pesquisar sobre tratamentos e depois de conversar muito com a fisioterapeuta (que virou quase minha psicóloga) e com os veterinários que acompanhavam a Mabel, decidimos tentar a acupuntura para o controle da dor e com isso irmos reduzindo o uso de medicamentos. Faz uns 6 meses que a Mabel faz uma sessão de acupuntura por semana, além de fisioterapia, caminhadas diárias e o uso do condroprotetor Cosequin e do colágeno UC-II. E acreditem, a Mabel não faz mais uso de medicamentos de controle de dor. Só quando faz alguma “arte” e aí usamos dipirona…e só! Mabel agora tem qualidade de vida e restabeleceu todas as atividades diárias. A fisioterapia e a acupuntura restabeleceram a força muscular, reduziram a crepitação e conseguiram controlar a dor.

E claro, que como vimos uma melhora significativa na Mabel não podíamos deixar de fora o nosso velhinho Billy! Ele se movimentava pouco, fazia uso de medicamentos e a qualidade de vida estava piorando. Então passamos também a fazer acupuntura e fisioterapia semanalmente. E o resultado também veio, claro que com limitações pela idade avançada e um quadro clínico mais complicado, mas hoje é muito mais ativo e tem feito pouco uso de medicação.

Dentre os tratamentos para displasia coxofemoral, a acupuntura tem um importante papel no restabelecimento da força muscular, na diminuição do uso de medicamentos, no controle de dor, além de melhorar a qualidade de vida do animal e de postergar tratamentos cirúrgicos que são mais agressivos. (Site: Acupuntura Veterinária)

acupuntura-veterinária

Mabel – Detalhe

Se quiser saber mais sobre a acupuntura converse com o veterinário do seu animal e procure profissionais com certificação. Para a Mabel e para o Billy está dando certo!

Seguem algumas referências de artigos que li e usei no texto.

 

Nota:

  1. Heloisa Dellacqua Coutinho – Médica Veterinária graduada na Universidade Vila Velha/ES. Residência em Acupuntura Veterinária na Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (UNESP/Botucatu-SP). Proprietária do consultório Medicina Alternativa Veterinária Heloisa Dellacqua (Acupuntura, Dietoterapia Chinesa, Fitoterapia Chinesa, Ozônioterapia, medicina Nutracêutica, Quiropraxia,Tui-na, Homeopatia).

Referências Bibliográficas:

CARDOSO, Maria C. da S. et al. Pectineotomia bilateral no tratamento de displasia coxofemoral em cães – relato de quatro casos. 34º CONGRESSO BRASILEIRO DA ANCLIVEPA – CBA2013, 08 a 11 de Maio, Natal, RN. Disponível em: http://www.infoteca.inf.br/anclivepa/smarty/templates/arquivos_template/upload_arquivos/docs/ANC13046.pdf

FARIA, A. B.; SCOGNAMILLO-SZABÓ M. V. R. Acupuntura Veterinária: conceitos e técnicas – revisão. ARS VETERINARIA, Jaboticabal/SP, v.24, n.2, 083-091, 2008. Disponível: revistas.bvs-vet.org.br/ars/article/download/10417/11162

PIRES, Isabela Martins Fernandes Gonçalver; SIQUEIRA, Rafael Cerântola; SANTOS, Cláudia Bonini Abreu. TÉCNICAS DE ACUPUNTURA NO CONTROLE DA DOR EM CÃES COM DISPLASIA COXOFEMORAL: REVISÃO DE LITERATURA. UNIMAR Ciências, 2014.

SILVA, Nuno Emanuel de Oliveira Figueiredo da. Avaliação da dor e qualidade de vida de cães submetidos à acupuntura isolada e associada a outras terapias. Dissertação (mestrado) – Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia, 2015. Disponível em: <http://hdl.handle.net/11449/140236>.

Scognamillo-SzabóI, Márcia Valéria Rizzo; BECHARALL, Gervásio Henrique. Acupuntura: histórico, bases teóricas e sua aplicação em Medicina Veterinária. Ciência Rural, Santa Maria, Online. Aprovado em 24.09.09.

TAFFARELL, Marilda Onghero; FREITAS, Patricia Maria Coletto. Acupuntura e analgesia: aplicações clínicas e principais acupontos. Ciência Rural, Santa Maria, v.39, n.9, p.2665-2672, dez, 2009. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/cr/v39n9/a403cr1513.pdf

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